
Os partidos políticos como organizações políticas,compõe-se de uma super-estrutura constituída por vários órgãos e instrumentos normativos, tendentes a regular o funcionamento,composição e actuação dos seus respectivos membros.
E sempre ao analisar-mos as questões relacionadas ao “modus operandi” dos políticos filiados á organizações partidárias, vêm-nos a memória, conceitos inevitaveis como a independência,dependência e coerência dos políticos.
Os políticos estando vinculados á uma organização partidária, actuam normalmente sobre os “Eagle eyes” de uma “disciplina partidária” rigorosa,que serve como instrumento de uniformização dos discursos e actuações dos membros dos partidos, evitando desta forma as eventuais acções dissonantes com os interesses dos partidos.
Porém, nem sempre os interesses e objectivos das direcções partidárias,vão de acordo com o pensamento e pretensões da maioria dos seus membros ,e no entanto,com base na “disciplina partidária”, os membros com os discursos dissonantes, são sempre “obrigados” a abdicar e esquecer os seus pensamentos e pretensões políticas,aderindo assim á uma linha de pensamento única e institucional, que vá de acordo com os interesses e objectivos do referido partido político, independentemente, do partido estar certo ou errado.
Este facto, leva á que muita das vezes os discursos e actuações dos políticos,se transformem numa verdadeira “apologia da mentira e incoerência”, pois por imposição de um “regulamento interno” os discursos dos membros dos partidos políticos, são induzidos a uma padronização,dando-lhes uma tonalidade politicamente correcta,sob pena de sanções e repressões internas,obrigando desta forma várias políticos a terem que passar por cima dos seus princípios morais e éticos por imposições e directivas.
Contudo são vários os políticos que apesar de uma filiação partidária,conseguem manter a sua “liberdade de expressão”, Políticos que não são escravos das instituições,mais sim de “causas e ideias” Políticos que cumprem o que pregam,e que não infringem o que exigem.
Um dos últimos casos, flagrantes de políticos, que sobrepõem-se a essa uniformização e padronização partidária,é o político Português,o socialista “Manuel Alegre” ,um histórico no PS,que sempre se mostrou coerente e independente,estando com o partido apenas nas decisões que considerava sensatas e correctas, e afastando-se daquelas que achava erradas e prejudicias.,contrariando muita vezes o discurso do seu líder partidário,votando contra orçamentos e outros vários diplomas dos quais não concordava.
Manuel Alegre, é apenas um exemplo, de outros inúmeros políticos que fazem dos partidos políticos instrumentos de consolidação e desenvolvimento de ideias e não instrumentos de uniformização e sincronização de pensamentos.
Entretanto,na semana passada, quando via o “Telejornal da Rtp” ,deparei-me com uma reportagem sobre uma entrevista do político português,o Social Democrata “ Francisco Moita Flores” Autarca de Santarém,ao Jornal “Diário De Notícias”, Entrevista essa, que ilustrava de forma extraordinária, este artigo sobre a temática da relação entre os políticos e os seus respectivos partidos,por isso decidi colocar em anexo a entrevista de “Moita Flores” Uma entrevista que representa para mim, um verdadeiro ensaio sobre a lucidez e ao mesmo um tempo um autêntico manifesto contra-bajulação política.
Anexo: Entrevista De Francisco Moita Flores Ao Diário De Notícias.
Uma entrevista que dei a um semanário nacional produziu uma pequena tempestade num copo de água onde o folclore gira em torno do acessório e procura fugir deliberadamente ao essencial.
O grande dilema dos medíocres é se voto ou não voto em Sócrates, coisa sem sentido e sem significado, que só os profissionais da ligeireza, mesmo que se arroguem em intelectuais, podem ter como assunto de conversa.
O problema não será em que eu voto. Aquilo que se percebe nesta reacção empedernida, fortemente serventuária e servil, é que isso é relevante. Aliás, confesso que não sei como vou votar.
A verdade é que este é o pretexto para, mais uma vez, se fugir a um debate que anda sempre entranhado nas intenções de todos os partidos e que é sempre afastado da mesma forma: ou seja, como é possível dar transparência à nossa vida política e pública e não ser amaldiçoado pela suspeição apenas por ser candidato seja aquilo que for.
Devo dizer, que a maioria dos apressados professores da social-democracia que, indignados, vieram falar de traições, surpresa, desilusão, oportunismo e outros disparates inqualificáveis, ignoram o peso e a força da memória. Alguns deles nunca fizeram, em nome do PSD, mais nada a não ser garantir lugares, tachos e promoções pessoais.
Embora com vida política muito curta, entreguei ao PSD uma das mais históricas Câmaras socialistas, numa vitória que muitos dos actuais 'moralistas de pacotilha' perseguiram durante trinta anos e nunca conseguiram. E agora, o PSD, quatro anos depois, pode mostrar uma Santarém alegre e brilhante, que vibra, que se modernizou e da qual o partido que me apoiou, e de cujo apoio me sinto honrado, pode mostrar sem vergonha como exemplo de uma gestão dinâmica, competitiva e séria.
A segunda questão é do foro pessoal. Muitos daqueles cuja pretensa independência não passou da dependência conveniente para se servir do PSD, como outros se servem de outros partidos, jamais aceitaram que ser independente é ter uma voz livre. Será independente se for fiel ao dono, ao chefe de ocasião, á vontade soberana de um líder.
Não sou assim. Escrevo há anos defendendo aquilo em que acredito, criticando aquilo em que não acredito. Seja qual for o partido. E julgo, ainda hoje estou convencido, que foi essa atitude de livre pensador que levou o PSD a convidar-me para tentar ganhar a autarquia de Santarém. Ganhámos. E tornaram a convidar-me para voltar a reconquistar para o PSD esta grande cidade, que juntos, militantes do PSD e muitos independentes transformaram quase por milagre numa cidade e num concelho próspero, ainda mais belo e mais atractivo. Aceitei. E é sabido que aceitei honrado este novo desafio.
Enfrentá-lo-ei em nome do PSD e com energia suficiente para depois deixar o cargo, quando chegar a hora, com a tranquilidade de quem cumpriu o seu dever. Primeiro com Santarém. Depois com o partido que me apoia.
A terceira questão é o nervosismo histérico que se apossou dos serventuários sem outra utilidade que não seja a intriga e o lamber de botas a qualquer dono, desde que estejam servidos, por afirmar que temos boas relações com o Governo. Os puristas de ocasião queriam uma batalha sem tréguas contra o inimigo da fé. Uma espécie de cruzada redentora.
A verdade é que esses trolhas da política nunca perceberam que o compromisso de um autarca é com os seus munícipes. Por Santarém é minha obrigação moral, ética e política procurar as melhores relações que sirvam os munícipes deste concelho.
É minha obrigação servi-los. É a única obrigação partidária que tenho: servi-los e servi-los bem. Sem condições. Sem preconceitos. Servir até ao tutano dos ossos. Mas isto é coisa que o pretensos moralistas encartados nunca perceberão. É assim a crença de um homem livre e independente.
Primeiro Santarém. É o compromisso que assumi com o PSD e levarei até às ultimas consequências, pesem os dardos envenenados e os insultos de ocasião. E o segundo compromisso é para discutir com seriedade. Ou seja, saber se queremos uma prática política clara, transparente, sem suspeições, ou se queremos continuar a nadar neste pântano de denúncias, de processos mal resolvidos, de anátemas contra a honra de qualquer um. Mas sobre isto não falam os pregadores da pureza.
Fogem. A cobardia sempre se escondeu por detrás da retórica. De facto é muito grande este partido que consegue albergar o que de melhor existe na sociedade portuguesa e, ainda, parte dos oportunistas que se repartem pelos restantes partidos.Calo-me. Não falarei mais para este caixote do lixo. Santarém é grande demais para perder mais tempo com esta tempestade de mesquinhez.»Francisco Moita Flores, Diário de Notícias online, 20-8-2009
Lenny aka Soba L
Jurista
Geração D´ouro Do Xangongo