quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Can 2010


Diz o poeta: “As grandes caminhadas, começam sempre com um primeiro passo”.

Depois de anos á fio de trabalho ârduo por parte do “Estado Angolano” em geral, e o COCAN em especial, na edificação e reabilitação das infraestuturas (Estádios,Hoteis,Estradas, Aeroportos e outras estruturas complementares) que albergariam este mega-evento desportivo, finalmente Ligaram-se ás luzes,levantaram-se ás cortinas e deu-se início ao espectáculo.


A cerimónia de abertura, foi magnífica e memoravel, vivida de forma intensa, entre pirotecnias coloridas,fascinantes e coreografias folclóricas. Foi um verdadeiro recital de História,política,geografia e economia angolana, fantasticamente filmadas e excepcionalmente representadas pelos nossos compatriotas (actores,bailarinos,coreografos e outros voluntários) que fizeram a acção.



Eu não vivi o 11 de novembro de 1975, mas por alguns instantes, pensei com os meus butões: “nossa, então foi isso que eles sentiram naquele momento ,quando Neto discursava,proclamando a nossa independência” fui invadido por um sentimento nacionalista e patriota absolutamente imensuravel e inarravel, complementado por um jogo de abertura frenético e imprevisível, com um resultado inesperado in extremis, todavia é na imprevisibilidade dos resultados, que reside a minha paixão por este Desporto Rei.


Passado este momento inesquecivel, de abertura do 27º Campeontado africano das Nações, é hora de fazer uma modesta e humilde análise, aos efeitos deste mega-evento desportivo ao nosso País, nos mais diversos sectores da Sociedade.
Não quis fazer uma análise,depois de terminada a competição, para não parecer aqueles analistas abutres,que só dão opiniões a posteriori, e esperam dilacerar os factos quando já estão moribundos.


Efeitos Políticos:


Os efeitos políticos inerentes á organização de um evento com esta dimensão, começam muito antes, isto é, na altura da confirmação do provimento, dado a candidatura apresentada na CAF. Em termos políticos, o provimento dado a CAF a nossa candidatura, representou uma grande vitória,não só pela dimensão dos concorrentes vencidos, mais principalmente por esta vitória representar um factor de afirmação política á nível regional,continental e internacional, que é um corolário do processo de reconstrução do nosso País.


Efeitos Sociológicos:


Um evento com a dimensão de um Campeonato Africano das Nações, produz sempre um efeito aglutinador nas relações sociais, amenizando o impacto desta nuvem negra que paira no ar, do individualismo e anti-patriotismo. Com a realização do CAN no nosso País, vive-se na nossa sociedade, uma verdadeira exaltação social positiva, que faz-nos descobrir que a nação é a instância última, e é a ela que devemos dar o litro pelo sucesso deste mega-evento.

Pese embora, grande parte da população, viva na sua maioria, psicologicamente descompensada, pela passividade das autoridades, ao não resolver os seus problemas básicos e elementares, entretanto o nosso amor a Nação continua forte e firme, pois amar a Nação é um instinto pluri-secular de qualquer Cidadão Angolano, como dizia o Keita Mayanda, passo a citar: “ o que faz-nos sentir Angolanos não é algo físico,tem haver com uma energia irracional,um amor que não pede contrapartidas” fim de citação, esta frase representa bem aquilo que é o sentimento, que devemos ter pela nossa “Selecção de Futebol”, apoia-la e incentiva-la,em todos os momentos independemente de outros eventuais constragimentos. Dai o facto de o País, estar todo “vestido” mentalmente, de vermelho e preto,de Cabinda ao Kunene,em apoio aos nossos Palancas Negras.


Efeitos Económicos:


Como dizia um grande analista português “ sobre economia, não sei absolutamente nada,excepto os preceitos básicos que aprendi com a minha avô,que consistem em: Nunca se gastar mais do que se tem”

Corre a ideia, de que o nosso País vive literalmente sentado sobre um poço imenso de fortuna,onde o solo,subsolo e mar têm para dar um muito, que se multiplica vezes sem conta. O nosso País, nestes 8 anos de estabilidade política e económica, teve crescimentos económicos consideraveis, chegando mesmo á alcançar um crescimento de 2 digítos, assim como um excelente deficit orçamental.

Todavia, a nossa economia é marcada pela pouca diversidade, concentrando-se apenas no sector mineiro, tal facto adicionado a outros factores, como a taxa elevada de crescimento populacional e a pouca quantidade e qualidade dos recursos humanos,provoca vários constragimentos que dificultam um crescimento económico horizontal, que produza efeitos em termos de Pib per capita e fundamentalmente no nosso índice de desenvolvimento humano, causando assim um paradoxo de estatísticas e números altos, mais um nível de vida baixo na maior parte da população.

Os recursos são escassos e públicos,ou seja não são infinitos e servem para todos nós, dai o facto de exigir-se sempre um desenvolvimento sustentavel, pautado por uma gestão cautelosa dos recusros (monitorização,planificação e fiscalização) como nós diz o economista Angolano, Teodoro Lima da Paixão Franco Junior, passo a citar “ o desenvolvimento é um processo, é cultura. É cultura de bem-fazer, de poupar, do risco calculado, de projectar a longo prazo” fim de citação.

Por isso,embora Keynes, assegure-nos, que o investimento público gera riqueza,continuo a pensar, que devido a magnitude dos problemas socias por resolver no País,depois de longos anos de Guerra civil, levam-me a pensar que em termos de “timming” não seria este o momento ideial para executar despesas exorbitantes para albergar um evento desportivo, todavia, como diz o Jurista Sebastião Isata, “Mentes prudentes e razoáveis,divergem sempre” pois a história ensina-nos,que a diversidade de opiniões traz sempre novas soluções.


Efeitos Desportivos:


Este evento traz-nos valiosos efeitos desportivos,pelo simples facto de servir como rampa de lançamento, para uma maior promoção,massificação,diversificação e divulgação do Desporto na nossa Sociedade. Ganhou-se valiosas infra-estruturas desportivas,o que não significa, que teremos o nascimento de forma automática de vários talentos,um estádio de futebol é substancialmente diferente de uma academia de futebol,precisa-se de um longo e ârduo trabalho de formação de treinadores “formação superior,nível Fifa” para dar-se continuidade a este mega projecto,que foi o CAN 2010.


Pois é sabido, que faltam-nos recursos humanos e materias,no Desporto em geral e no Futebol em especial. Por isso há que pensar-se no pós-Can,com projectos sustentáveis para estes estádios e outras infra-estruturas complementares, que serão herdadas desta 27º edição do Campeonato Africano Das Nações.


Já dizia o poeta: “Os Primeros passos são inuteis, se não andares até ao fim”


Lenny aka Soba L

Jurista

Geração de Ouro Do Xangongo


2 comentários:

  1. Comentário totalmente "Off Topic": Bem vindo de volta Soba, sempre com as crónicas bem compostas e opiniões relevantes...

    Força!!!

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