sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Geração da Utopia.




Somos uma geração, sem propósitos nem lugares. Nao vivemos o drama da libertação nacional, nem a guerra civil atroz, que martirizou Angola, durante duas décadas. A nossa luta de libertação nacional chama-se globalização e a nossa guerra civil chama-se capitalismo.

Nós somos a Geração da utopia, que Pepetela escreveu. Uma geração que não aprendeu na escola e no lar, o preço da liberdade, o quanto custa fazer uma bandeira.

Não tivemos o contacto, com os contos de liberdade a volta da fogueira, temos apenas e somente, contos a volta de lareiras modernas, que nos transmitem sonhos ocidentais.

11 de Novembro e 4 de Feveriro. Datas de diversões e festividades, que simbolizam o preço da liberdade. Entretanto, essas diversões e festividades, perderam o efeito útil necessário, de serem, uma correia de transmissão, a nova geraçãoo, do quão difícil foi o preço da liberdade, de quão difícil custa fazer uma Bandeira.

11 de Novembro e 4 de Fevereiro. Devem ser datas de reflexão, ponderação e introspeção. Reflexão, para recordar os protagonistas acérrimos da nossa luta de libertacao nacional. Ponderação para perspectivar com bom senso e razoabilidade, os resultados práticos de 4 décadas de independência nacional. Analisar e estudar os nossos níveis de independência nos diversos sectores sociais ( independência económica, cultural e politica ).

Somos uma geração sem sentido de Estado, nem fervor patriótico. Aprendemos desde muito cedo que o homen foi a Lua, e esquecemo-nos de estudar a história da nossa Terra. Não estudamos Viriato da cruz nem ilídio machado, não estudamos Samora Machel nem Amílcar Cabral.

Priorizamos o estudo das aventuras caninas e selvagens de Diogo Cão, e as peripécias folclóricas de Paulo dias de Novais. Nós precisamos antes, aprender e estudar os manifestos de Tobias Hainyeco e as teses de Mandume.

O afro-optimismo de Kwame Nkrumah e os discuros negros de Cheik Anta Diop e Aime Cesar. Nós precisamos antes, estudar e aprender a poesia de militância de Agostinho Neto, ás notas musicais de Rui mingas.

É preciso, reformular-se, a concepção actual, das celebrações do 4 de Fevereiro e 11 de novembro. É preciso não ter-mos memória curta, e recordar que foram vidas perdidas e sangue derramado. De Heróis de verdade, que não se calaram e escreveram sobre rochas, com azagaias, flechas e catanas, o nome de Angola, como uma Nação livre e independente.


É preciso saber o que custou a Liberdade!
É preciso saber como se faz uma Bandeira!


Dr. Mardilénio Hifewa
Geração de Ouro de 1985
Xangongo - Kunene

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