Deslocar-se é uma
virtude. Ás viagens alargam o nosso horizonte , apartir delas , abdicamos da
perspectiva vertical da vida e adoptamos um prisma horizontal , adquirido
graças a partilha de informações e emoções.
Foi neste contexto que
o jovem Hélio Almeida , decidiu , procurar , pelos serviços de migração e estrangeiro , com
o intuito de requer a emissão de um passaporte , para materializar o seu sonho , o de tornar-se em um viajante
emérito e descobrir os quatro cantos da sua região.
Hélio Almeida ,
deslocou-se ao edifício que alberga os serviços de migração e estrangeiro , e
ao chegar , deparou-se com uma enorme
azáfama , era tal a enchente e a movimentação de pessoas e bens , que Hélio Almeida por instantes pensou em
declinar a sua pretensão.
O edifício que
domiciliava os serviços de migração e estrangeiro , localizava-se na zona oeste
da pacata cidade de Omufilu. Era um serviço relativamente novo na localidade ,
institucionalizado no âmbito da estabilidade política que se vivia na região ,
a mercê do fim do conflito militar , o que influiu na extinção dos postos de
controlo e fronteiras , permitindo a circulação incondicional e inter-regional
de pessoas e bens.
O edifício , apresentava uma arquitectura moderna com traços orientais. Dividia-se em vários compartimentos úteis , entre os
quais uma recepção com atendimento personalizado , uma ampla sala de reuniões ,
um refeitório condigno que servia aos funcionários e uma pequena biblioteca
anexa à sala de espera dos utentes.
A demanda começa muito
cedo. Logo pela manhã , formavam-se filas de espera de pessoas que pretendia adquirir o passaporte
, para finalmente deslocar-se ao encontro de seus ente-queridos que outrora
foram barricados doutro lado das fronteiras por questões políticas.
Outros ainda , como Hélio Almeida , pretendia apenas
adquirir o passaporte , para deslocarem-se à outras localidades da região
, para explora-las culturalmente. Hélio Almeida , com os seus 24 anos , era um
jovem bastante impaciente e tinha algumas dificuldades em aguentar-se em pé ,
nas longíssimas filas de espera para o atendimento ao público.
Para entreter à espera
, Hélio Almeida , decidiu , deslocar-se à biblioteca do edifício , que ficava a
dois passos da sala de espera onde se formavam as longas filas de espera. Hélio Almeida , não tinha o hábito de leitura
, apesar de pertencer a uma família com alguma pujança económica na localidade
, jamais fora um leitor assíduo.
Os seus progenitores , eram detentores de uma pequena fortuna
fortuita , adquirida nas circunstâncias da guerra , seu pai fora ajudante de motorista numa
fazenda de um reputado senhor colonial.
No período de transição política , ele , o pai de Hélio Almeida , herdara
uma pequena camioneta de seu antigo patrão , que posteriormente transformou-se
no meio de transporte por excelência de todos aqueles que quisessem desloca-se
de Omufilu para outras localidades da região.
Havia em Omufilu ,
outras camionetas que transportavam pessoas e bens , todavia , a camioneta do
senhor Leonel Almeida , pai de Hélio Almeida , gozava de imunidades nos postos
de controle , graças a reputação de seu antigo patrão , esse facto ,
agradava os seus passageiros , pois viam-se livres de uma inquisição
burocrática por parte dos agentes de autoridade que fiscalizavam as estradas e
caminhos.
Leonel Almeida , era um
senhor bastante pragmático , com uma visão matemática e mercantilista da vida ,
para ele , tudo se resumia à negócios e contas , fora essa a educação que dera
aos seus 8 filhos , nunca lera um livro , detinha um vocabulário prático e
elementar e bastava-lhe os anos de experiência e os conhecimentos que adquirira
do senso comum , que ele chamava de sabedoria popular.
Com este pano de fundo
, Hélio Almeida nunca se tivera interessado por livros , abandonou a escola
muito cedo e dedicou-se a trabalhar com o pai e pretendia agora , alargar a sua independência financeira ,
explorando culturalmente às outras localidades da região , para futuros negócios.
Foi o seu primeiro
contacto com uma biblioteca. A
biblioteca do edifício dos serviços de migração e estrangeiro , encontrava-se
confinada a um espaço de sensivelmente 6 metros quadrados , continha 3
prateleiras devidamente preenchidas por literatura diversa , prosa e poesia e
algumas mesas com cadeiras confortantes para leitura. Hélio Almeida , depois de alguma observação aos livros ,
escolheu o que mais lhe parecia interessante com gravuras na capa e um título
deveras sugestivo « A Nossa Região »
Assim de forma
inconsciente , Hélio Almeida foi explorando o livro e ficou perplexo com a
pertinência do conteúdo do mesmo. Hélio Almeida , não sabia que nós os humanos não escolhemos os livros são os livros que nos
escolhem. Foi explorando a obra e depois
de algumas horas de leitura , já de forma consciente foi absorvendo o conteúdo
da mesma.
Hélio Almeida ,
surpreendeu-se pela positiva de tal forma , que se esquecera de reintegrar-se
na fila de espera para o atendimento para requisição do passaporte e deu por
ele a ser convidado à abandonar o edifico , pois se esgotara o tempo de
atendimento ao público.
A obra « A Nossa Região » fora escrita por um
ex-colono , agrónomo de profissão , que tivera feito um períplo por toda às
regiões que circundavam a localidade de Omufilu , descrevendo-as culturalmente
de forma muito elevada e profunda. Dividia-se
em vários capítulos , repartidos por 3 volumes e já se encontrava na sua 5ª
edição.
No dia seguinte ,
pasme-se , Hélio Almeida , foi o primeiro da fila de espera , muito antes da
abertura do edifício , ali encontrava-se Hélio Almeida , ávido de continuar a
sua prospeção no livro « A Nossa Região » esquecendo-se completamente da
pretensão de requerer a emissão do seu passaporte.
Hélio Almeida , que ate
à data , não lera obra nenhuma , simplesmente devorou os 3 volumes da obra do agrónomo Baltazar Caetano « A
Nossa Região » foram dias à fio de muito
leitura na biblioteca dos serviços de migração e estrangeiro.
Volvidos alguns dias ,
Hélio Almeida , recolhera do livro , todo o manancial de informações de que
necessitava para conhecer culturalmente às localidades da sua região , adquiriu
da obra , informações privilegiadas , sobre quais às zonas por explorar e
prosperar por toda a região , e de forma
meio instintiva , Hélio Almeida , conclui , que a obra « A Nossa Região » era o
passaporte de que realmente necessitava.
Deste modo , 17 dias
depois , Hélio Almeida despedia-se da biblioteca do edifício dos serviços de
migração e estrangeiro , convicto de adquirira o seu verdadeiro passaporte
biológico.
O livro é um passaporte
biológico , com ele , extinguimos às distancias e alcançamos uma sabedoria
milenar. Os livros são extremamentes
ricos , a sua fortuna , chama-se: Lucidez.
Mardilénio Hifewa ( Soba L )
Xangongo , 2012

PARA SER SINCERO AINDA NAO LI O NEW POST, MAIS JA COPIEI PRO WORD, PRA MAIS CALMO ALIMENTAR O INTELECTO....MAIS O QUE ME TROSSE AQUI FOI O TEU PREMATURO E ENEXPLICAVEL DESAPARECIMENTO DO ONIBUS CONDUZIDO PELO MARK ZUKENBERG, DEIXANDO NOS EM PROFUNDO DESAMPARO....NAO SEI O QUE ESTEVE NA ORIGEM DA DECISAO, MAIS QUERO QUE SAIBAS QUE ESTAS A FAZER FALTA EM MUITOS MANOS!!!! SAUDE Soba L...
ResponderExcluirGil Marcolino
Grande Gil. Obrigado pela atenção mano. Sempre a considerar.
ResponderExcluirRelativamente ao Face , Encerrei a conta por questões de privacidade e gestão dos textos.